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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O novo paradoxo da busca por investimentos

Por Sandra Elisabeth

Ao longo destes cinco anos à frente da diretoria da Sýndreams Aceleradora observei um aumento no número de Startups que buscam aceleração no segundo semestre do ano, entre os meses de setembro e dezembro.

Na Sýndreams, este número já chegou a representar aproximadamente 50% de todos os contatos. Além da grande busca por mentorias, neste período o maior pedido é por recursos financeiros.
Me pergunto “o que acontece entre setembro e dezembro que as startups sentem tanto a necessidade de dinheiro”?  E porque o discurso é sempre o mesmo: “com ‘X’ de dinheiro a startup terá ‘Y’ de sucesso!”.

Será que no primeiro semestre a situação já era esta? E se não era, por quê? O que aconteceu entre janeiro e agosto para que em setembro basta ter dinheiro para ter sucesso?

Durante estes 8 meses planejaram a startup? Validaram o MVP (provando que existia mercado para o produto e/ou serviço desenvolvido)? Se sim, o recurso gerado pelo MVP não é suficiente para dar o próximo passo? Se não é suficiente, porque não é?

Será que o preço cobrado na venda do MVP estava muito mais baixo que os custos totais do produto? 
Se isso aconteceu, o que prova que o cliente está disposto a pagar o preço justo e correto por este?

Ainda não validaram o MVP? Então porque precisam de recursos financeiros para escalar uma ideia que ainda não saiu do papel? Já tem protótipo, tem patente? Ótimo, porém se não foi validado no mercado os investidores consideram uma ideia no papel, já que ninguém comprou ainda!

Conversando com alguns investidores fica claro que eles desejam muito investir em bons projetos, aqueles que mostram resultados positivos. A maior dificuldade destes investidores é encontrar estes projetos! A experiência mostra que geralmente quem busca dinheiro precisa primeiro de ajustar o produto/ serviço, o modelo de negócios, estudar o mercado, etc. e por isso ainda não conseguiu nenhum recurso financeiro, nem mesmo com a venda do que está produzindo.

Os empreendedores de maior sucesso não pedem dinheiro, pedem ajuda para melhorar o projeto e assim, com as vendas de seus produtos, obterem os recursos necessários para o primeiro voo do empreendimento, e após isto são procurados pelos investidores que conhecendo o sucesso do novo produto no mercado se interessam em colocar mais dinheiro nele!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A inovação que precisa de gente!

Por Sandra Elisabeth

Quando você ouve falar de inovação a primeira coisa que vem a sua cabeça são máquinas e equipamentos que não precisam de pessoas para operar? Carros autônomos? Nanotecnologia? Superalimentos? Provavelmente sim!

E devido a este fato, uma pergunta recorrente que chega até mim é: “A inovação não vai tirar o lugar das pessoas no trabalho?”. E a resposta é NÃO!


Hoje, mais do que nunca precisamos de pessoas para que a inovação aconteça! As máquinas ainda não criam coisas, as pessoas criam! As pessoas são responsáveis pelo aumento do ativo intangível das empresas, ou seja, são as pessoas que desenvolvem ideias que viram patentes e marcas; as pessoas são o capital humano capaz de gerar propriedade intelectual nos negócios.

Infelizmente o Brasil está muito atrasado no que diz respeito à participação dos ativos intangíveis no valor total das empresas.

De acordo com um estudo da Consultoria Apsis, de 2009 à 2015, caiu de 60% para 37% a fatia dos ativos intangíveis no valor de mercado nas empresas brasileiras. Isto é assustador, porque de acordo com especialistas, quanto maior a fatia dos ativos intangíveis, maior o nível de inovação das empresas e mais valiosos são os negócios.


Mas porque mesmo sabendo que as pessoas são tão importantes no processo de inovação das empresas, em um momento de crise são os primeiros “custos” a serem cortados?

Talvez, porque falte gestão de pessoas nas empresas, um departamento de Recursos Humanos que funcione como administrador de comportamentos internos e potencializador de capital humano ao invés de simplesmente realizar tarefas de contratação, demissão e pagamento.

E aqui friso a diferença entre Departamento Pessoal e Recursos Humanos. Ambos são importantes em uma empresa, porém têm objetivos e funções distintas. O primeiro deve se preocupar com a formalização da contratação, sindicatos, pagamentos e com a demissão dos colaboradores – sempre observando as questões legais e contratuais. Já o segundo é o responsável por escolher quais os talentos serão contratados, como os colaboradores serão organizados, quais treinamentos e melhorias precisam ser feitos (em conjunto com a diretoria) e principalmente propor ações de melhoria continua aos funcionários, para que eles possam realmente gerar capital intelectual na empresa.

“Inovar é preciso e fundamental”, mas para isso acontecer precisamos de pessoas capacitadas e prontas para fazer as coisas acontecerem! Sem pessoas, não existe empresa ou negócios, apenas paredes frias e equipamentos desligados! As ideias vêm das pessoas, precisamos delas para fazer acontecer!


Pense nisto!